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A relação entre Vitamina D e doenças crónicas

A vitamina D é um nutriente essencial para o equilíbrio do organismo, desempenhando funções importantes na saúde óssea, muscular e no funcionamento do sistema imunitário.1 No entanto, em pessoas com doenças crónicas como diabetes, obesidade ou doenças autoimunes, o risco de apresentar níveis baixos de vitamina D é significativamente mais elevado.1

Vitamina D em Pessoas com Doenças Crónicas: por que o risco de défice é maior

Este défice nem sempre é fácil de identificar. Em muitos casos, os sintomas associados à falta de Vitamina D: como fadiga persistente, dores musculares, fraqueza ou maior suscetibilidade a infeções, confundem-se com manifestações da própria doença crónica, atrasando a avaliação e a correção dos níveis.2 Por essa razão, a Vitamina Vitamina D tem vindo a ganhar destaque como um fator relevante na abordagem global da saúde destes doentes.

Por que razão as doenças crónicas afetam os níveis de Vitamina D

O organismo depende de vários processos para garantir níveis adequados de Vitamina Vitamina D, desde a produção cutânea através da exposição solar até à sua ativação no fígado e nos rins. Em pessoas com doenças crónicas, estes mecanismos podem estar comprometidos.

Depois de ser produzida na pele com a exposição solar ou obtida através da alimentação e da suplementação, a Vitamina D precisa de ser “transformada” pelo organismo para poder exercer as suas funções. Este processo, conhecido como metabolismo da Vitamina D, ocorre em duas fases principais: primeiro no fígado, onde a Vitamina D é convertida na forma que circula no sangue e é medida nas análises; depois nos rins, onde é ativada para a forma biologicamente ativa.3

Quando existem doenças crónicas que afetam o fígado ou os rins, esta transformação pode não ocorrer de forma eficiente. Assim, mesmo que a pessoa tenha alguma exposição solar ou ingestão adequada de Vitamina D, o organismo pode não conseguir utilizá-la corretamente. Além disso, a inflamação crónica associada a muitas destas doenças pode interferir com este metabolismo, contribuindo para níveis funcionais mais baixos de Vitamina D.4

Na diabetes, sobretudo na diabetes tipo 2, estudos mostram uma associação frequente entre níveis baixos de Vitamina D, inflamação crónica e pior controlo glicémico.5 Embora ainda não esteja totalmente esclarecido se o défice de Vitamina D contribui diretamente para o desenvolvimento da diabetes ou se é uma consequência da própria doença, sabe-se que estes doentes apresentam maior probabilidade de défice quando comparados com a população geral.

obesidade é outro exemplo claro. A Vitamina D é uma vitamina lipossolúvel, o que significa que pode ficar retida no tecido adiposo. Em pessoas com excesso de massa gorda, parte da Vitamina D fica “armazenada” e menos disponível na circulação sanguínea, levando a valores mais baixos nas análises.6 Isto explica porque indivíduos com obesidade podem apresentar défice mesmo com exposição solar aparentemente adequada.

No caso das doenças autoimunes, como a artrite reumatoide, o lúpus ou a esclerose múltipla, a relação com a Vitamina D é particularmente relevante. A inflamação crónica e alguns tratamentos utilizados nestas patologias podem interferir com o metabolismo da Vitamina D. Além disso, existe evidência científica que sugere um papel modulador da Vitamina D no sistema imunitário, o que tem despertado interesse na sua avaliação regular nestes doentes.7
 

Sintomas de défice: quando passam despercebidos

Em pessoas com doenças crónicas, os sintomas de défice de Vitamina D tendem a ser subtis e facilmente desvalorizados. O cansaço constante, a sensação de fraqueza muscular, as dores difusas ou até alterações do humor podem ser atribuídos exclusivamente à doença de base, quando na realidade coexistem com níveis insuficientes de Vitamina D.1

Esta sobreposição de sintomas torna a avaliação clínica mais desafiante e reforça a importância de considerar a Vitamina D como parte de uma abordagem integrada à saúde. A medição da hidroxivitamina D no sangue, o principal indicador usado nas análises clínicas, é atualmente o método recomendado para avaliar os níveis desta vitamina e pode ajudar a esclarecer situações de défice ou insuficiência.8

Avaliação e acompanhamento: uma decisão individualizada

Nem todas as pessoas com doenças crónicas necessitam automaticamente de suplementação de Vitamina D. A decisão deve ser sempre baseada numa avaliação individual, considerando os níveis laboratoriais, a exposição solar, a alimentação, a condição clínica e a terapêutica em curso.

Em determinados grupos, como pessoas com obesidade ou com doenças que afetam a absorção intestinal, pode ser necessário um acompanhamento mais próximo. Nestes casos, a dose de Vitamina D pode diferir da utilizada na população geral, o que reforça a importância de evitar a automedicação e de seguir a orientação de um profissional de saúde.9

Vitamina D como parte de uma abordagem global da saúde

É importante esclarecer que a Vitamina D não substitui o tratamento das doenças crónicas nem deve ser encarada como uma solução isolada. O seu papel é complementar, integrando uma abordagem mais ampla que inclui medicação adequada, alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico regular.

Manter níveis adequados de Vitamina D pode contribuir para a saúde músculo-esquelética, para o equilíbrio do sistema imunitário e para o bem-estar geral, fatores particularmente relevantes em pessoas que vivem com doenças crónicas.1 A informação baseada na evidência científica permite decisões mais conscientes, evitando tanto o défice prolongado como o uso excessivo de suplementos.

 


Bibliografia

1. Holick MF. Vitamin D deficiency. N Engl J Med. 2007 Jul 19;357(3):266–81.

2. Palacios C, Gonzalez L. Is vitamin D deficiency a major global public health problem? J Steroid Biochem Mol Biol. 2014 Oct;144 Pt A:138–45.

3. Holick MF. Vitamin D: physiology, molecular biology, and clinical applications. Endocr Rev. 2007 Jun;28(4):436–75.

4. Bikle DD. Vitamin D metabolism, mechanism of action, and clinical applications. Chem Biol. 2014 Mar 20;21(3):319–29.

5. Pittas AG, Lau J, Hu FB, Dawson-Hughes B. The role of vitamin D and calcium in type 2 diabetes. J Steroid Biochem Mol Biol. 2010 Jul;121(1–2):379–83.

6. Wortsman J, Matsuoka LY, Chen TC, Lu Z, Holick MF. Decreased bioavailability of vitamin D in obesity. Am J Clin Nutr. 2000 Sep;72(3):690–3.

7. Arnson Y, Amital H, Shoenfeld Y. Vitamin D and autoimmunity: new aetiological and therapeutic considerations. Isr Med Assoc J. 2007 Jan;9(1):52–4.

8. Sempos CT, Vesper HW, Phinney KW, Thienpont LM, Coates PM. Vitamin D status as an international issue: national surveys and the problem of standardization. Scand J Clin Lab Invest Suppl. 2012;243:32–40.

9. Pludowski P, Holick MF, Grant WB, et al. Vitamin D supplementation guidelines. Nutrients. 2018 May 31;10(5):E642.
 

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