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Uma queda pode acontecer num instante: ao tropeçar num tapete, ao escorregar na casa de banho ou ao levantar-se demasiado depressa. Em idades mais avançadas, porém, uma queda raramente é apenas um episódio isolado. Pode significar dor, medo de voltar a cair, perda de confiança e, em alguns casos, uma fratura que compromete a autonomia.¹

O Papel da Vitamina D na Prevenção de Quedas e Fraturas em Idosos

As quedas em idosos são frequentes e têm impacto real na qualidade de vida. A prevenção envolve vários fatores ao mesmo tempo: força muscular, equilíbrio, visão, medicação, segurança no domicílio e também aspetos nutricionais. É neste contexto que surge a Vitamina D, conhecida pelo seu papel na função muscular e na saúde óssea.²

Mas qual é, de facto, o seu contributo? E quando faz sentido avaliar ou suplementar?
 

Porque é que as quedas se tornam mais comuns com a idade?

Com o envelhecimento, o corpo passa por alterações naturais. Existe uma tendência para perda gradual de massa muscular e alguma diminuição da rapidez de resposta aos desequilíbrios.¹ A marcha pode tornar-se mais lenta e a recuperação após uma queda pode demorar mais tempo.

Além disso, fatores muito comuns contribuem para aumentar o risco: visão menos nítida, tonturas, dores articulares, diabetes ou medicamentos que provocam sonolência.¹

Depois de uma queda, é frequente surgir receio de voltar a cair. Esse medo pode levar à redução da atividade física, o que, paradoxalmente, diminui ainda mais a força muscular. 

Discutir a prevenção de quedas é, por isso, abordar igualmente a importância de manter o corpo ativo e confiante.
 

O que a Vitamina D pode fazer pelos músculos

A Vitamina D em idosos é tradicionalmente associada aos ossos, mas o seu papel vai além disso. Está envolvida em processos ligados ao funcionamento muscular.2

Quando os níveis estão baixos, pode existir maior probabilidade de fraqueza, sobretudo nos membros inferiores.2 Atividades simples do quotidiano — levantar-se de uma cadeira, subir degraus ou caminhar em piso irregular — podem tornar-se mais exigentes.

Se as pernas não respondem com rapidez ou força suficiente, aumenta a instabilidade. E quando a capacidade de corrigir um desequilíbrio é menor, o risco de queda cresce.

Vitamina D e ossos: reduzir o impacto de uma queda

Mesmo com boas estratégias de prevenção, nem todas as quedas são evitáveis. Por isso, importa também considerar a resistência do osso.

A Vitamina D contribui para a absorção adequada do cálcio e para a manutenção da densidade óssea.2 Em idades mais avançadas, as fraturas em idosos, particularmente da anca, da coluna e do punho, podem ter impacto significativo na mobilidade e independência.

Assim, o objetivo é duplo: reduzir o risco de queda e diminuir a probabilidade de fratura caso a queda aconteça.

Suplementação de Vitamina D: quando faz sentido?

Esta é uma das questões mais debatidas.

Em adultos com 65 ou mais anos que vivem na comunidade e não apresentam fatores de risco específicos, os estudos mais recentes não demonstraram benefício consistente da suplementação por rotina na prevenção de quedas.3

No entanto, é importante interpretar corretamente estes dados.

A ausência de benefício universal não significa que a Vitamina D não seja relevante. Significa apenas que tomar suplemento de forma generalizada, sem avaliação individual, não demonstrou reduzir quedas de forma consistente na população geral.

Existem contextos clínicos em que a avaliação pode ser pertinente e integrar uma estratégia mais ampla de saúde músculo-esquelética.2 Também no que diz respeito às fraturas, os resultados variam consoante os estudos e o contexto analisado,4 reforçando a importância de decisões individualizadas.

Outro aspeto fundamental: doses elevadas sem orientação profissional não são recomendadas e podem trazer riscos, como alterações nos níveis de cálcio.2

A decisão deve, por isso, ser personalizada e discutida com um profissional de saúde.
 

Quem pode beneficiar de avaliação da Vitamina D?

Embora a suplementação não seja indicada de forma automática, há situações em que a avaliação dos níveis pode ser clinicamente relevante.

Pessoas com quedas repetidas devem ser avaliadas de forma mais abrangente, incluindo fatores musculares e ósseos.1, 2 Idosos institucionalizados, por passarem menos tempo ao ar livre, podem ter maior risco de défice devido à reduzida exposição solar.2

A baixa exposição solar prolongada, independentemente do local de residência, é outro fator a considerar, dado que a síntese cutânea é uma das principais fontes de vitamina D.2

Quem tem osteoporose diagnosticada ou já sofreu uma fratura por fragilidade pode beneficiar de avaliação individualizada, uma vez que a Vitamina D participa no metabolismo ósseo e na utilização do cálcio.2, 4

Situações de sarcopenia - perda progressiva de massa, força e função muscular, associada ao envelhecimento - também justificam reflexão clínica, dado o papel da Vitamina D na função muscular.2

Nestes contextos, avaliar os níveis da Vitamina D no organismo pode ajudar a integrar decisões dentro de uma estratégia mais ampla de prevenção e manutenção da autonomia.

O que pode fazer já para reduzir o risco de quedas

A prevenção de quedas em idosos não depende de uma única medida. Manter atividade física adaptada ajuda a preservar força e equilíbrio. Rever a medicação quando existem tonturas ou sonolência pode reduzir instabilidade. Atualizar a visão e adaptar o ambiente doméstico — com boa iluminação e eliminação de obstáculos — também faz diferença.1

A Vitamina D pode ser um elemento deste conjunto, sobretudo quando existe défice. Mas não substitui uma abordagem global.
 

Conclusão

A relação entre Vitamina D e quedas em idosos exige ponderação. A Vitamina D desempenha um papel reconhecido na função muscular e na saúde óssea.2 Contudo, a suplementação por rotina na população geral não demonstrou benefício consistente na prevenção de quedas.3

Quando existe défice comprovado ou risco aumentado, a avaliação individual pode ser relevante.2 O mais eficaz continua a ser uma estratégia integrada que combine movimento seguro, ambiente adaptado, revisão terapêutica e acompanhamento profissional.

Envelhecer com segurança é possível — e começa com decisões informadas.

O que deve reter:

  • As quedas em idade avançada são frequentes, mas muitas podem ser prevenidas através de uma abordagem integrada que combina movimento, segurança e acompanhamento adequado.1
  • A Vitamina D desempenha um papel reconhecido na função muscular e na saúde óssea, contribuindo para a manutenção da força, do equilíbrio funcional e da densidade mineral óssea.2
  • A suplementação não é indicada de forma generalizada, mas pode ser considerada quando existe défice ou risco acrescido, no contexto de uma avaliação clínica individualizada.3,4
  • A estratégia mais eficaz para preservar autonomia e qualidade de vida passa pela combinação de atividade física adaptada, ambiente seguro, revisão terapêutica e decisões informadas com profissionais de saúde.1

 


Bibliografia

1. World Health Organization. Falls . Geneva: World Health Organization; 2021

2. Demay MB, Pittas AG, Bikle DD, et al. Vitamin D for the Prevention of Disease: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2024;109(8):1907-1947.

3. Torres-Lopez R, Obradors N, Elosua R, Azagra-Ledesma R, Zwart M. Efficacy of Vitamin D Supplementation on the Risk of Falls Among Community-Dwelling Older Adults: A Systematic Review and Meta-Analysis. J Clin Med. 2025;14(17):6117.

4. Chakhtoura M, Bacha DS, Gharios C, et al. Vitamin D Supplementation and Fractures in Adults: A Systematic Umbrella Review of Meta-Analyses of Controlled Trials. J Clin Endocrinol Metab. 2022;107(3):882-898.
 

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